O que fazer com os resultados de Comportamentos Ofensivos no Levantamento Psicossocial?
Ao utilizar a ferramenta de Levantamento de Riscos Psicossociais do Sistema ESO (baseada na metodologia COPSOQ II, versão curta), é possível que os relatórios apontem níveis de alerta para Comportamentos Ofensivos, o que inclui indícios de exposição como situações relacionadas a bullying, assédio (moral ou sexual) por parte de gestores, colegas ou clientes, violência no ambiente de trabalho, entre outros.
1. O papel do Sistema ESO e a Responsabilidade da Empresa
O Sistema ESO atua como a ferramenta de identificação e diagnóstico, processando as percepções dos trabalhadores de forma técnica. No entanto, a interpretação aprofundada desses dados e a definição das medidas de intervenção são responsabilidades exclusivas da gestão da empresa, apoiada por seus profissionais de SST e Recursos Humanos. O sistema não prescreve soluções prontas, pois cada organização possui uma cultura e uma realidade única.
2. O que a legislação (NR-01) e o Guia do MTE orientam?
Quando existir indícios de um possível perigo psicossocial relacionado a um comportamento ofensivo, não é recomendao que a empresa ignore o resultado apresentado. A empresa deve avaliar tecnicamente os resultados e definir medidas de gerenciamento compatíveis com sua realidade organizacional e com o processo de gestão de riscos ocupacionais de acordo com a NR-1, segue orientações:
- Inclusão no Plano de Ação (PGR): As ações definidas para mitigar esses comportamentos podem ser programadas no plano de ação do PGR da empresa, conforme estabelece o subitem 1.5.5.2 da NR-01.
- Foco na Organização do Trabalho: O Guia de informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) orienta que a empresa deve dar preferência para intervenções que modifiquem as condições da organização de trabalho (nos termos da NR-1 e da NR-17), em vez de focar apenas em intervenções
pessoais ou comportamentais do indivíduo. O problema, muitas vezes, está na estrutura de cobrança e gestão da empresa. - Envolvimento Multidisciplinar e CIPA: O tratamento de comportamentos ofensivos exige uma ação conjunta. O Guia do MTE recomenda que a organização envolva os profissionais de SST (como o SESMT, se houver), os níveis gerenciais, a alta administração e todos os trabalhadores. Além disso, a busca por soluções deve se basear na escuta ativa da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), caso tenha.
3. Exemplos de Ações Organizacionais
- Criação, revisão e ampla divulgação de Códigos de Ética e Políticas de Tolerância Zero contra o assédio.
- Implementação de Canais de Denúncia anônimos, seguros e geridos de forma imparcial (exigência também reforçada pela Lei do Programa Emprega + Mulheres).
- Treinamento e conscientização de lideranças sobre comunicação não-violenta e gestão humanizada.
- Revisão de metas inatingíveis ou modelos de cobrança excessivos que possam estar atuando como gatilho para o assédio moral ou bullying competitivo entre colegas.
⚠️ Atenção: Recomendamos que, diante de resultados críticos envolvendo comportamentos ofensivos, a empresa busque o auxílio de profissionais especializados (psicólogos organizacionais, médicos do trabalho ou consultorias em compliance trabalhista) para estruturar a intervenção de forma ética, segura e resolutiva.
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